quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Falecido Zé Feio.

é que meus olhos de patife
estiveram de fogo esse fim de ano
como você já deve saber
noites longas, dias curtos
dos lamentos de samba de raiz
pensei em você
escutando Nelson Cavaquinho
não tive sobriedade pra te pedir desculpas
invernei no ácido
e transei com aquela amiga sua
numa tarde
pedi pra empregada guardar seu brinco
tava em baixo da cama
ontem fui tomar umas na biqueira que era do seu irmão
os trafica me disseram que
desde aquela briga ele sumiu
no meu desleixo
sinto sua falta
de deslizar versos na sua gargalhada
do seu corpo inteirinho marrom
de morder suas iscas
dos tragos que a gente dava na poltrona
até você resolver virar fumaça
e ir embora pela janela.
                         Para Sabrina.

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Píncaros da Glória.

o charme das meninas anônimas
rebolados subversivos
avançam nos bancos traseiros de carros suicidas
fotografias decapitadas
louvam seus peitos e
suas bundas
revolucionam o mundo
com sexo oral
olhos férteis
de carnaval de salão
profecias rabiscadas nas paredes
de banheiros sujos
romance de lança-perfume
poesias dançantes
trepadas epiléticas
retalhos de noites passadas
desejos esquizofrênicos
nas coxas saudáveis e eróticas
das meninas anônimas
bêbadas, drogadas
calcinha laranjada é bonito demais
no meu precipício tem uma gafieira
de amores sintéticos e
transes reais
dias quentes são bons
minha princesa Yorúba
o feitiço
do teu riso
ainda ejaculo nas estrelas do seu ventre.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Soberba.

Julia parece um sonho, saca?
dessas morenas voluptuosas
uma pintura de Carybé
Julia é uma insolente obra de arte
que tinge madrugadas
com sua alma marrom das mulatas
deus moldou Julia no verão
Julia é um fim de tarde
sobras de sol no céu
colorida 
fantasiada de amor
Julia brinca descalça na terra
judia de mim com os seios de fora... 

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Ontem.

choveu hoje a tarde
pensei na sua pele sob o sol que arde
teu orgasmo descontrolado
te escondi do relógio
pra encostar a boca no seu cu
antes do fim do dia
o ácido compartilhado no beijo
justo eu que sem medo me entrego ao desejo
te chupei
me lambuzei de você
seu lado cativo
das mulheres que se entregam
e lambem seus dedos doces
desaparecem na memória
flores esquecidas
num pedaço de terra qualquer
onde brotam sementes de mulher
me perco em silêncio
no cheiro do seu sexo
suas manias desleixadas
de deixar suas roupas jogadas
de se jogar no meu colo
coisas de menina
que não teve baile de quinze anos
não dançou valsa
apareceu aqui descalça
loca de lsd
e foi embora meia hora antes de amanhecer.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Carne de Porco, Salada de Alface Com Arroz.

na fumaça do seu cigarro
eu gozei
torturado pela sua volúpia
meu pau mole
absorvendo seus instantes
sua crença idiota por deus
seu amor por um cara que mora em outro país
os porres que a gente toma aqui no meu pai
você disfarçada de deusa
seus pelos pubianos crescidos
incerta do que quer da vida
procurando qualquer coisa adormecida
nas gavetas da minha escrivaninha
me conte das coisas do seu tio viado
viciado em crack
esqueça que horas são
não vá agora
tente entender meu sexo
a magia do espelho é te ver no reflexo
obrigado pelos doces
valeu por não me julgar
você é a traficante mais linda da cidade
e eu vi a cicatriz que você tem na virilha
as vezes eu te amo Priscila
as vezes acontece.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Bike 2010.

tua voz me acalmou
num dos meus delírios de amor
me serviu na boca
goles de aguardente com guaraná
só pra me acalmar
enfeitei meus segredos
pra deixar minha realidade
menos feia
pra você gostar mais de mim
pra gozar do teu riso noturno
acariciar suas cicatrizes
e desperdiçar seu tempo
com músicas, poesias
minhas histórias de assaltos e orgias
não adianta procurar razão no meu umbigo
a Ana nunca vai largar do namorado pra ficar comigo
eu sei do peso do meu enredo
sei da sua cartela de êxtase 
e também sei que você gosta quando eu te chupo
gosta dos meus palavrões
e quando eu falo que deus é um travesti com o pau enorme
que come  nossos pais nos fins de semana.

domingo, 13 de dezembro de 2015

Astrofagia. Palavra Que A Marina Loca de Pó Inventou.

aproveita esse bocado de primavera
que ainda nos resta
das horas apagadas
dos relógios digitais
dramas contemporâneos
suicídios antiquados
o desespero é pontual
do vitro do meu banheiro
tem uma porção de domingos de sol
flores sobre meu lençol
eu não ligo pra essa transa de signos
esse teu jeito de me machucar
as vezes me agrada
é, você me jogou fora
derrubei um pouco de uísque com coca na cueca
hoje cedo vi um beija-flor
sorri minha própria desgraça
você tinha que ver mi amor
como é bonito essa porra de beija-flor.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Criança Gorda.

desconfiei do azul
do céu
da delicadeza dos seus traços
finos
ouvi alguns sambas
pra te sentir
mesmo que de longe
tentei
não te esquecer
sexo casual
é como partidas amistosas de futebol
a Priscila me deu um
tapa na cara hoje
lembrei de você
e cai na gargalhada
ainda acho que o silêncio
é um troço muito deprimente
faço barulho
e daqui á pouco o ácido que tomei vai fazer efeito
minhas noites são longas
demais
você podia bordar um safári naquela
sua saia de renda
branca
ia ficar linda
vestida de leões, guepardos e coiotes
famintos.

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Nenhum Puto.

e se o sol raiar
daqui a pouco
e se o infarto chegar antes
que diferença faz
se tem um Exu na minha calçada
e uma garrafa de tequila
pra gente tomar no domingo
ouvi dizer que sua boca anda vendida
suas presas mandam notícias
mas eu conheço seus botes
de fêmea faminta
seus temporais
o fogo impregnado na sua pele fina
olhos de cadela
uiva indecente
o cio sob a lua amarela
madrugadas inteiras
mastigadas pelos seus dentes
essa melanina exuberante
 escorrendo do tom da sua pele
mestiça dissimulada
da bunda empinada
e da xoxota cheirosa
sinuosa
brilha pra mim.

Passarinho Laranjado.

vi a primavera se desmanchar
no azulejo do banheiro
esqueci seu sorriso
no reflexo do espelho
bebi novembro inteiro
meus olhos cansaram
de droga e cachaça
desfrutei de manhãs sem amores
beijei tantos seios
na revolta das tardes
se sofri
cuidei pra ninguém notar
silenciei meus lamentos
nas pernas morenas da Ellen
notei sentimentos passageiros
por onde gozei
luzes adormecidas
ressacas mal contadas
se escrevo
e bebo
demais
é pra amortecer a vida
meus sonhos correm descalços
por ai
e brinco de luzir estrelas
nessas noites pretas.

domingo, 6 de dezembro de 2015

Bruna.

porque carregas mistérios nesses olhos teus
porque beijas minha boca seus beijos ateus
seus lábios mansos a passear pelos meus
longe da paz teus olhos de adeus
ressentidas lágrimas escorrendo nos breus
nas injustiças da vida
transformei seus escândalos em poesia
aguardei suas ressacas pra sorrir a calmaria
dos seus banhos demorados
meus dias embriagados
pra poder errar
pra poder amar
pra me desculpar
te implorar por segundas chances
pelas tristezas dos falsos romances
minhas sextas-feiras em má companhia
hoje sonhei com a Katarina
bebi e assisti jogos de futebol o dia inteiro
o verão ainda nem chegou e você falando em saudade
tens medo de amar porque?
brincas de morar um pouco em mim
logo amanhece triste madrugada pelo fim
é que de repente me  deu uma vontade de chorar
por saber que o perdão também cansa de perdoar
já que todo coração é insensato
preferi te guardar num retrato.

sábado, 5 de dezembro de 2015

Simone Mestiça.

dezembro tem o cheiro das putas
da casa vermelha
o mesmo enredo
de samba, pó
dos dias virados
sentado em engradados de cerveja
pratos e copos sujos
rabo de puta contagia
ninguém compreende minhas noites
olhos de estrela cadente
vibram a intensidade desses corpos
clichês pornográficos
putas amigas
despreparadas pro amor
sou o mesmo cara de antes
no convite pra sair pra conversar, beber e
dançar
descontraídas
essas putas suicidas
inesquecíveis perfumes
exagerados decotes
pra poluir pensamentos
reinam o batom
nos espelhos
sagradas prostitutas do meu coração
dos virgens
dos broxas
resistem a tristeza das doenças
a saudade dos filhos
putas foram nobres rainhas
de outras reencarnações.

Manhas Ateias.

te vi confusa
marquinhas de biquíni
sem blusa
resmungando seus amores
sentada na poltrona
pude ver seus olhos lúcidos
enquanto tirava o absorvente
pra gente transar
lamentando as manhas
abrindo a janela
convidando o dia
pra iluminar meu quarto
foi assim que te conheci
garota amanhecida
suspensa nos meus goles
de conhaque com guaraná
descanso meus desejos
na juventude do seu corpo
mas o amor é um negócio brutal
machuca a carne
murcha flores coloridas
de tesão
a herança do amor
é a dor
se não te amei
foi pra te preservar.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Baltazar e o Câncer de Próstata.

seus temporais lascivos
suas roupas jogadas no chão
olhos drogados
remoendo as mágoas
implorando
pra eu não beber tanto
só porque esqueci seu signo
e cantei Noel
você disse que não era hora
foi embora
eu te pedi
volta
sabe quando as coisas vão acontecendo?
na rotina dos erros
são quase três da madrugada
eu com meus pedaços que não valem nada
e você
precisa saber da Priscila
das prostitutas
da cocaína
das minhas cicatrizes escondidas
meus problemas com a polícia
da Jheni
dos peitos de silicone da Bia
orgias dividindo os dias
fetiches de saia de renda
me leva pra passear?
solta o cabelo que você fica tão bonita assim.

Olha a Sara Vira-Latas.

deixa chover
que aqui dentro eu prolongo  
meus porres
que sempre serão homéricos
mantenho meus sentimentos
sempre a margem
celebrando meus vícios
meus versos promíscuos
meus amores cínicos
e um punhado de problemas
ligados ao sexo
minha poesia
que beija a boca das mulheres
chora as madrugadas
almas maquiadas
dissimuladas
essas mulheres
cruéis
ariscas
nocivas
carregam armadilhas no ventre
de baixo das saias
feitiços
com asas de anjo
seus santos nomes
lingeries, brincos, perfumes
colares
mulheres são trovões
noites acessas
mulheres são feitas de paixões
e nada mais.

Guardada na Gaveta.

já que a cachaça combina com o céu
e ela ta na cozinha fazendo o café que eu pedi
deixo o sol  me gritando na janela
pra observar a cadência dos seus passos
passos submissos
mestiços passos de mulher
que me serve pedaços de paçoca na boca
botei Jorge Ben pra nega escutar
ela desprezou os livros na mesa do meu quarto
tão bonita com a minha cueca
rebolando a indecência das mulheres adúlteras
tenho um demônio na carne
ela não sabe
só eu sei
antes das seis ela vai embora
de volta pro marido
pra provar que a infelicidade justifica
a traição
e detalhes pequenos
a gente resolve na cama.

Adelaíde Vinda do Paraguai.

me acolha em teu peito
finja que me entende
pelo menos tente
pra mim chorar minhas bebedeiras
no seu aconchego
ainda sinto seu perfume na cama
preciso te dizer
sou um fraco
fingindo ser forte
vomitando blasfêmias
mentiras que te conto sobre amar
nas noites de chuva
molhando nossas almas de adeus
penso em você
mas desejo outras
um bocado de ilusões
que você criou sobre a gente
enquanto eu pensava na Ellen
pra gozar em você.