quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Ademir Bicheiro.

falava sobre os naipes sagrados do seu baralho
blefava com um par de ases entre as pernas
mas eu já te conhecia
e sabia quando você fingia
nas apostas e em alguns orgasmos
pelada compensava todos meus crimes do passado
seu jogo de cartas marcadas
profissional em manipular meu coração
incrivelmente instável
furtava as horas do horário de verão
e dizia que pau nenhum era melhor que seus dedos
passava dias desaparecida
e voltava refeita
mais bonita que da última vez
com dinheiro na bolsa
brilhava sozinha
eu era apenas mais um bibelo sem importância na sua penteadeira
era tudo que eu poderia ser pra você
até te imagino rindo
me chamando de objeto inútil e sem valor

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Manoel Padeiro e Adicto.

quando ela vem
todas as vezes cheirando a café e soluços
contando seus absurdos
cabelo preso
ferida aberta e pele tatuada
agarrada ao céu azul decadente
fotografando tudo
acreditando em nada
uma menina fingindo ser forte pra enganar a morte
e eu que nunca sei do teu período fértil
prometo coisas em vão
só pra te consolar
enquanto a gente espera o verão
com o desejo suspenso na janela
envenenando a alma com imagens pornográficas
e trepadas sublimes
afinal de contas
deus não é testemunha de nada
e os pecados da primavera não serão registrados no caderninho do juízo final         

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Leila Punheta.

é a vida
essa vadia que te fode
há dias que você se sente um bosta
e deseja ser mais uma vítima de Las Vegas
ou da Síria
é meu lado suicida que ainda grita
na lua nova sou mais um enforcado idiota
culpem o crime
as drogas
culpem minha mãe
ou me culpem por não ler a porra da bíblia
e só pensar em sexo e futebol
diga ás crianças que foi acidente
ou capricho meu
que sempre fui cachaceiro, mulherengo e ateu
todo mundo sabe que eu só teria futuro no tráfico
engraçado é que hoje sou meu próprio refém
carrasco de mim mesmo
sou só outro cara procurando problemas a esmo
pagando um preço alto pelas merdas feitas
enfeitando as sombras com confetes e serpentinas
pra disfarçar a solidão de domingo a tarde
tragédias acontecem todos os dias
e minhas sequelas são uma história a parte
apenas feche os olhos pra me ver

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Sal da Malásia.

eu achava teus olhos tão bonitos
mas me perdia olhando o movimento da rua
o trânsito, as pessoas, a lua
depois veio a época da cocaína
das brigas, dos assaltos, das orgias
e me sentia cada vez mais  longe dos seus olhos morenos
amorosos e brilhantes
tentei chorar agarrado a uma garrafa de aguardente
desesperado
bêbado esqueci minha honra no traseiro da Claudinha
tive que fugir da polícia
tive que pedir a deus mesmo sendo ateu
manchei meu tênis branco de sangue
e seus olhos já não me olhavam com ternura
seu olhar inquisidor
pronta pra me atirar na fogueira
e comemorou quando me enforquei
era uma sexta-feira
todo suicídio tem seu charme
um jeito clássico de morrer
uma pena que nem morri e nem me converti
e ainda bebo demais só pra te ver sorrir
gorda e infeliz

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Suingue e Chantagens.

creio que ainda não entendi o mundo
ou o mundo é que não me entendeu
dizem que resmungo demais
e que bebo muito
é que nasci do avesso
dizem que nem era pra eu estar vivo
contrariando o universo místico
cadeirante mas não paralítico
trocando o certo pelo errado
sempre mijo na frente de casa
e sonho com bundas enormes
bundas realmente muito grandes
não resisto á tentações
das químicas, dos crimes ou das paixões
estou sempre preparado pra perder
um bom campeão é feito de derrotas também
mas fique tranquilo
minha época das brigas de facas já passou
claro que as vezes me desespero
por causa do tédio
pelos sambas, pelo sexo
ou quando meu time perde
é que ninguém sai ileso de uma u.t.i
laroie exu tiriri
dizem que eu sobrevivi

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Camila Transparente.

conheço tantos caminhos tortos
dos crimes tolos
que eu praticava pra fugir das noites de tédio
conheço o seu jeito de me maltratar
sua alegria em me ver perdido nas suas tramas
fodido pelos seus dedos
conheço seus medos
quando teu peito esta na minha mão
sei que você nunca forja orgasmos
coleciono seus sorrisos numa caixa de sapatos
me divirto com nossos pactos
e na bagunça que você faz no meu coração
mas avisa pro seu deus que sou pagão
conheço tuas pernas
tuas cenas
são teus os meus melhores poemas
só não se esqueça de mim
quando eu andar sumido pelos cantos
atrás de outras morenas

sábado, 9 de setembro de 2017

Teté.

to sempre em silêncio
atento aos passeios sinistros do tempo
elaborando péssimos argumentos pra justificar meus planos sujos
tráfico de crack e coquetéis molotov na minha mente
ontem foi dia sete
havia um diabo no telhado
respirando a noite
e eu com saudade não sei de que
tentando entender coisas sobre dinossauros e vaginas
ás vezes sozinho em casa pareço uma garota que só pensa em putaria
que ignora valores familiares 
e trepa na mesa do almoço ao meio-dia
eu queria ser uma capucheta com a linha bezuntada de cerol 
voando num céu todinho azul
sob esse mesmo sol
da América do Sul
dos amores falidos 
dos bandidos bem vestidos
onde há fartura de moleques bons de bola, putas e vícios 
essa merda parece um sonho bizarro