segunda-feira, 22 de maio de 2017

Jatobá.

imaginei constelações
rasguei versículos
enquanto eu pude corri
fugi
adormeci em colos profanos
nas farras noturnas
bundas em fartura
sexo sem ternura
não me curvei por grana
nem por religião
droga, polícia
ou blá blá blá de cristão
fumei cigarro
me dediquei ao tráfico
nos assaltos vi muito dinheiro
indo pelo ralo
invernado virei madrugadas
passeando pelo inferno
o diabo de bermuda e chinelo e eu de terno
com trajes antiquados
bêbado nunca fui bom moço
camisa colorida suja de sangue
quase matei meus pais de desgosto
colecionando vícios
cicatrizes ganhei nas brigas
maluco de porta de hospício
mas assumi meus riscos
ciente que toda preta é rainha
me botei no altar como sacrifício
hoje convivo com as consequências
da tentativa de suicídio
sem arrependimentos
chapado de ácido
ta tudo bem comigo
as vezes sou bomba-relógio
contando os segundos pra explodir o mundo
as vezes só quero beijar a boca de uma puta
pra provar que meus sentimentos são nobres
ta tudo bem comigo

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Sobre As Folhas Na Calçada.

seu eu pudesse compor um novo amor
botaria teu nome
seria tão bonito quanto aquela estrela que vive pendurada na minha janela
e você existiria pra sempre
quando eu visse seu sorriso brotando na minha alma perdida
e seu cheiro pelo quarto inteiro
espreguiçando na minha cama
depois que o sol nascesse no meio dos seus cabelos cacheados
pra poder estudar caprichosamente teus jeitos
teus traços
teus passos descalços na cozinha
talvez passear pelas ruas mais floridas da Boa Vista
desenhando indecências com a boca na tua pele morena
mas como saber se te mereço
se ainda nem te conheço
pra te convidar pra tomar md
pichar muros ou fazer amor na praça
e bêbado rezo pro destino me trazer você
cantarolando qualquer canção de amor
revirando as noites
te procurando
pra te dizer
olá

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Canela.

sem me importar senti teu cheiro pelas esquinas
desesperado entreguei meu coração sem disciplina
cego, surdo e mudo desafinei teus sambas preferidos
é que meu passada ainda me assombra
recolhi todos os teus vestígios jogados no piso de tacos
esqueci da marca dos teus dentes no meu braço
nas noites de novela foram muitos porres
recusei o teu perdão
dispensei a calmaria e abracei o vendaval
você me perguntava se eu tinha medo
eu respondia que só sinto medo quando me olho no espelho
jurei coisas em vão
praguejei da boca pra fora
sempre com saudades do verão
me acabei com uma puta loira
pra esquecer seu corpo marrom
vendi uns pinos
juntei uma grana
comprei um puteiro
cometi suicídio nos teus beijos
sem saber que você não valia nada
assim como eu
amantes da boêmia
nega vadia
que fodeu com a minha vida e
desapareceu

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Sonhei Com Um Pássaro Amarelo.

foi depois de tomar um enquadro da polícia
com uma amiga
numa praça aqui perto de casa
te chamei porque precisava encher a cara
e trepar
te fazer esquecer a briga da noite passada
como se não tivesse acontecido nada
e como de costume você veio
outra vez
pra cama do teu carrasco
parecendo um animal domesticado
salivando no pau do canalha
aparece sempre sorridente
cheirosa e depilada com uma garrafa de vodca na mão
a noite tava quente
a lua era cheia
e eu?
eu sou o Judas na tua ceia
que alisa seu clitóris com a língua
te vira do avesso
que não te ama
e não faz segredo
eu sei meu bem
que você gosta dos vira-latas
mas seu ciúmes e seus carinhos não me convencem de nada
nem suas picuinhas apaixonadas
o problema é que sempre haverá
outras coxas
outros rabos
tantos sorrisos perdidos por aí
é que só você
me parece tão pouco
quando eu quero o mundo todo

terça-feira, 9 de maio de 2017

Solo Sagrado.

te esqueci no cinzeiro
se apagando lentamente
te esqueci de baixo daquela mangueira
agonizando como uma manga podre
te esqueci em janeiro
em coma por um ano inteiro
te esqueci atrás da porta
suja com o pó das horas
te esqueci semana passada
dentro do copo de cerveja gelada
te esqueci na gaveta de cuecas
do lado do seu brinco perdido
te esqueci olhando o céu pela janela
totalmente ilesa
depois de me fazer tua presa
te esqueci sem pressa
em outros perfumes
outras tetas
te esqueci sem certeza
convencido do teu desprezo
sorrateira
amando á sua maneira
te esqueci sem remorso
lá fora
esquecida nas  vitrines
expostas pras calçadas
nas sobras dos fios dos teus cabelos
te esqueci na bunda grande e redonda da Amanda
esperando a ressaca dos dias seguintes
como um crente esperando Jesus
mesmo sabendo que lá no fundo de sua alma
talvez ele não volte

domingo, 30 de abril de 2017

Bar da Val.

você reclamava porque eu passava as tardes
de cueca no sofá vendo reprises de futebol
que quando saia com meus amigos
o papo era só boceta, crime, bola e droga
mas eu não liguei quando você mentiu e transou com sua amiga
e aquele dia que a gente chapo de md
te contei da garota do meu bairro
e que as vezes escrevia poesia ouvindo funk
te botei pra chupar 
você disse que precisava de um amor
eu queria me suicidar 
andava meio maluco
iria fugir pra Pernambuco
com dois quilos de cocaína
mas sua sensibilidade 
boicotava meus desejos vulgares
egoístas e
promíscuos
você acreditava em deus
eu acreditava na carne
como matéria corrompida 
presente nas orgias por mim promovidas
você passava esmalte nas unhas
e se raspava na minha frente
espalhando seu cheiro
pelo quarto inteiro
você disse que precisava de um amor
e eu não soube amar

sábado, 22 de abril de 2017

White Fufli.

esperei a madrugada
o fim da festa
pra ver seus olhos pintados de primavera
sombras coloridas se movimentando
nem todo céu é igual
do lado de fora de toda janela há corações
palpitando
vi seu seio esquerdo pular pra fora do sutiã
quando faltava pouco pra amanhecer
seu sorriso brilhava
e confundia meu prazer
eu que não gosto de frio
tirei a camisa
e renasci com a tua voz me parindo
contei os segundos pela metade
doido de ácido
busquei tua coxa com a mão
e descobri uma borboleta cintilante
compreendi o mês que passei em coma
gozei na sua sandália
antes do sol chegar em tons de roxo
imaginei uma poesia datilografada na sua barriga
e me preparei pra ressaca do lsd
querendo todas as cores vivas e obscenas
pregadas na tua pele