quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Ciclone Silicone.

provei do sol
temperamentos radioativos
das morenas que cresceram sem pai
meus sonhos sul-americanos
de cachaça e de tambor
droga, futebol e calor
meu anjo da guarda é vadio
penduro alguns pecados
pra pagar depois
diplomado nas mandingas
há garotas bonitas nas esquinas
fantasiando amores de novela
e batendo siriricas no sofá

domingo, 13 de agosto de 2017

Cabocla.

estrelas pingavam na janela
noite quente de álcool e ácido
meu sangue ferve
clama, geme e ama ferozmente
sem á doçura dos beijos habituais
mastigo velhas canções entre os dentes
a culpa é de deus é que me deu um coração vagabundo
que só me faz chorar por mulher ou futebol
as cartas desse baralho estão marcadas
todas essas besteiras contemporâneas
dos celulares
televisores e drogas sintéticas
pra dizer que sonhei com o sorriso largo
e os olhos negros de Luana
sem te procurar no jogo de búzios
te encontrei no inconsciente
noturna, intensa e misteriosa

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Maria-Mole.

é que boicotei todos meus sonhos
violentos, passageiros e absurdos
em troca fiquei com a lentidão da cadeira de rodas
e algumas coisas vazias e mal resolvidas
dentro do peito
quando olho no espelho só vejo defeitos
mas qualquer clima é clichê
na duvida sobre o futuro
no remorso sobre o passado
não se enforque
há vidas desafinadas
pelos cantos
pelas beiradas
transpirando amor e pó
entendi os astros depois do coma
a morte
pra uns depende apenas de ter sorte
ou não
por isso esboço sorrisos disfarçados
quando há mulheres no quarto
e celebro essa porra com drinques enquanto o céu escuro beija minha janela

terça-feira, 8 de agosto de 2017

Farpa no Dedo.

guardei meu tempo perdido
alucinado na barra da sua saia
rendada
foram mais que uns porres juntos
quando não tem sol na janela
e o sexo na primeira noite de lua cheia é incrível
você é a besta ferida
procurando repouso nos meus carinhos vulgares
outras madrugadas passam delicadamente
em outros lugares também
meu bem
meu bem
há magia em teus olhos fluorescentes
intoxicados de neon
no teu busto avantajado
e no teu jeito distante de cantar
e de amar

domingo, 6 de agosto de 2017

O Telepata Sincero.

das intensas paixões
quase nada me restou
alguns desenganos
perfumes
lágrimas e canções
é que a vida ainda não acabou
e os pileques são sempre bem vindos
ás vezes é necessário sofrer
por amor
por besteira ou solidão
e eu só morro se for no verão
não tento mais o suicídio
sabe?
tem hora que é foda ter que conter os exageros
sempre haverá garotas malditas
pra causar estragos
dessas que flertam com o mormaço
que te fazem ateu
se pelo menos eu acreditasse em deus
e meus erros fossem televisionados
talvez coisas doidas não aconteceriam com tanta frequência
dentro de mim

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Pomarola Gordão.

minha realidade era vulgar
e barata demais pra nobreza de seus sonhos
estive perdido pelos bares
biqueiras
becos e banheiros sujos
enquanto você guardava as sobras de sol e de desejo na bolsa
eu chorava no colo de uma puta analfabeta
adiando a morte na esperança de te reencontrar
brigando com os ponteiros do relógio
entre copos e estrelas
estive apaixonado
buscando suas sutilezas pelas sombras indelicadas de outras mulheres
procurando qualquer semelhança com seu sorriso
assumi meus riscos
e capotei o carro do meu pai
bêbado e com saudades de você

sábado, 29 de julho de 2017

Anísio.

você pintou seu personagem de bruços
feito um vulcão em erupção
destruindo minhas noites de sono
como uma psicopata armada
escondida de baixo da minha cama
eu nunca entendi esse seu lado
e compus versos te vendo dormir pelada
as vezes quero tudo
as vezes não quero nada
nunca ensaiei pra te pedir um beijo
nem estudei seus desenganos
suas fotos no espelho
esqueci seus remorsos
seus segredos
te pedi um filho na lua nova
mas você sacou minhas segundas intenções
e sorrindo me negou
depois com minha voz indecifrável
soprei algumas sacanagens no teu ouvido
pra enfeitar nossa foda
enquanto a vida passava de saia na nossa frente
e a gente ria da merda toda