sábado, 6 de junho de 2015

Qualquer Mal que me Satisfaça.

querida não é que eu não me importe com você
mas entre nós não existe espaço pra razão
do mesmo modo que não se evita um desastre de avião
assumo meu lado errado
visto a camisa
desculpe por não saber te amar
do mesmo jeito que não gosto de verde
e bebo sem parar
não acredito no seu amor
de poesias estúpidas e idiotas
te amei dum jeito que você existiu
permanece viva em mim até hoje
como a luz do sol que entra pelo vitro do banheiro e bate na minha cara de manha
invento desculpas pra não te esquecer
sofro sem querer sofrer
se filmassem meu quarto
eu seria o cara de tarde com as garotas mais bonitas da cidade
e o bosta que chora de amor toda noite
mas modéstia parte
meu show não corresponde as tuas expectativas
continuo atuando nas partes íntimas da sociedade
nenhum pai gostaria de me ter como genro
e se conheci essa porra de amor
foi graças á você.
Para Jhenifer.

quarta-feira, 3 de junho de 2015

Antes que a Manha Acabe.

Maria Rita transborda charme pelas ancas
e ódio pelas ventas
odeia sem querer
os homens
sua vizinha
e o amor
transa bem nessas manhas frias
e azuis
escorrega seu corpo marrom pelo meu
me conta pedaços de coisas que viveu
pinta as unhas de esmalte roxo
fala bobagens no meu colo
como quem não tem certeza de nada
entende meu sofrimento quando esta pelada
Maria Rita acontece aos poucos
com o mesmo jeito de entrar no quarto
e de tirar a calcinha
com a alma de gato flutua
em passos leves
esfrega sua boca contra a minha
perde a dignidade quando goza
desde os 16 não veste cor de rosa
acredito que deus faz mulheres
como ela
com ás próprias mãos.

segunda-feira, 1 de junho de 2015

O Peso do Silêncio.

se desmanchou
no piso frio
experimentou outras drogas
picas maiores
cortou o cabelo
tatuou o braço
largou a faculdade
vendeu seu carro
e viajou pra Europa
apanhou do namorado marroquino
resolveu voltar
não me perdoou por ter transado
com sua irmã
mas chorou ao me ver
sequelado
fodido
sua lucidez impressionou
pediu um livro do Jorge Amado emprestado
pretexto pra poder voltar
beijou minha boca torta
não quis passar seu número de telefone
nenhum contato
me desconcertou
me xingou de filho da puta
e foi embora.
                                                             Para Jéssica.

domingo, 31 de maio de 2015

Oxum.

orgasmo místico
da fêmea com mais de trinta anos
ungida pela infidelidade
no ápice do desejo
quando a carne esta pelando
me procura
nas tardes de novela
trepa
feito uma cadela
que assume o cio
e esfrega o rabo na minha cara
tem medo da menopausa
assiste sua vida perdendo a cor
da pia cheia de louça suja
vai ao culto todo domingo
e aparece aqui no meio da semana
é isso que eu ganho
por ser poeta
o amor de uma mulher casada
que não é amada
e nem comida
a infelicidade justifica toda traição
e mulheres maduras
são deslumbrantes quando querem.

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Escorpião.

estudo seu signo
abrevio meu destino
pra curar minha ressaca
no teu beiço
de manha adormeço
num sono vadio
não aprendi ser fiel
isso pra você pode parecer cruel
chorei no colo da Maria Rita
um dia antes de te conhecer
convivo com essas mulheres sem coração
entendo seu lado escorpião
não existe prazer sem dor
respeito seu sexo
ás vezes cê me mete medo
com as tetas maduras
jogando a cinza do cigarro
pela janela do meu quarto
fazendo charme no espelho do banheiro
gozando em miúdos
na minha boca
nem os astros conseguem te decifrar
por isso não te falo a senha
do meu computador
e nem te apresento pro meu pai.

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Mês Dois.

coisas boas acontecem em fevereiro
quando as janelas ficam abertas
a noite toda
e há calor suficiente pra assistir o carnaval
pela televisão do quarto
transando com a sua garota
quando o gozo corrompe
o egoísmo
no ritmo de samba-enredo
e o seu amor vira a passista mais linda
e mais bêbada
desfilando nua
só pra você
festeja a carne suada
e torce pra que não acabe rápido demais
que a folia dure
um ano inteiro
com muitos fevereiros
mas as coisas não são assim
é uma pena que todo carnaval tem seu fim.

terça-feira, 26 de maio de 2015

Doze.

madrugadas em claro
com a boca cheia de pedra
empenhado no comércio da desgraça
desbaratina quando a viatura passa
separa as notas das moedas
sentado na esquina
o tráfico é um negócio lucrativo
exige disciplina
não existe bondade nas ruas
sonhos acabam nos cachimbos
quando a viciada é gata
dois pinos por uma trepada
não conta com deus
não conta conta com a sorte
conta dinheiro
relaxa com o green
ninguém vai sorrir pra mim
simpatia na casa do caralho
ficar armado na biqueira é moiado
foda ter que engolir 25 parada á seco
melhor fica esperto
cadeia nunca me botou medo
mas não sou bicho
pra ficar trancado.