domingo, 15 de junho de 2014

Suspiros e Sálivas.

Daqui a pouco amanhece
o amor acaba
as pessoas acordam
saem das suas casas pra trabalhar
e eu durmo um pouco
ouço o cachorro da vizinha
ele faz uns barulhos estranhos
e caga muito fedido
eu queria gostar de cães
mas não gosto
gosto de gente
gosto mais ainda das mulheres
logo amanhece
minha cabeça de depravado dorme pouco
minha namorada sempre dorme comigo
ela trepa bem
diz que me ama e
gosta da minha poesia
eu durmo pouco
nunca amanheço
as vezes a manha chega de tarde
ou de madrugada
sempre na hora errada.

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Goles de Porra Nenhuma.

Já é tarde pra não querer amar mais
pra mudar de ideia
pra desistir
voltar atrás e
esquecer essa mulher
maldita mulher
mulher tempestade
que inundou todas as ruas da minha cidade
essa mulher já esta em mim
ela é o sangue que corre nas minhas veias
já não posso mais dizer foda-se e partir pra outra
só bocetas e bundas enormes não me bastariam
eu preciso de amor
do seu amor
no banho
nua deitada do meu lado
sorrindo
chorando
gozando
seu amor.

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Eu Sou o Cisco no Teu Olho.

Deixem os virgens
os Cristãos
os honestos e os puros de coração pra outro dia
quero saber das garotas de programas
filhas abortadas de pais adictos
meninos de rua com seus alucinantes sacos de cola
me conte dos ladrões
dos que não sentem medo
das mulheres do tráfico com seu eterno charme do submundo
dos foliões de carnavais fora de época regados a pó, boceta e cerveja
quero saber dos suicidas com balas na cabeça ou corda no pescoço
dos pichadores
vândalos
dos mendigos alcoólatras fedidos
dos terreiros de Umbanda e das médiuns de saia
Pomba-Gira do meu coração.
Deixem os virgens, os Cristãos, os honestos e os puros de coração
pros poetas com fimose
pra mim não.              

terça-feira, 10 de junho de 2014

Lúcia Helena A Boêmia.

Aquele jeitinho de andar
passos rápidos e curtos
espinha ereta
que vontade que eu tenho de me esconder dentro daqueles olhinhos
e nunca mais sair
essa merda de amor
não era nada aquilo que eu achei que era
muito menos o que eu sentia ser amor
é uma parada única e imensa
é tipo a porra de um tsunami
eu aproveito
gozo
e deito
naquele corpo 
de mulher.

Um Abril.

Dia após dia eu te descubro mais
vou pouco a pouco desvendando teu céu
os caminhos que o labirinto do teu corpo esconde
sinais que teu ventre me da
palavras que escondem na sua boca
me acorrento no seu calcanhar
amadureço nos teu seios
provo teu temperamento difícil
sua raiz nordestina
escondo meu mal de baixo do teu tapete
perpetuo a palavra amor toda vez que cê goza
e permaneço na tua pele

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Com Gosto de Maça.

Ela  é  meu calor
ela é meu castigo
ela é meu amor
seu peito meu abrigo
ela é meu pecar
ela é minha cina
ela é meu pensar
alguma coisa tem naqueles olhos de menina
ela é minha poesia
meu samba do Adoniran
ela é melodia
ela é minha Iansã
ela é meu patuá
meu amuleto de sorte
minha sexta-feira de Oxalá
ela é minha pena de morte
ela é minha cura
ela é minha esperança
minha fruta sempre doce e madura
ela é minha meiga vingança
ela é meu terreiro de Candomblé
ela é meu sorriso
minha inspiração tem o gosto do seu café
ela é só o que eu preciso.

Escute o Choro das Mulheres Infelizes.

Armo tocaia pro teu desespero
sou um cão
imundo
mordo a mão de quem me afaga
em ex viciado
não se deve confiar
queimo o dedo no Sol
nossa
faz tempo que eu não cheiro cocaína
nem tomo anfetamina
avisa o delegado que eu to aposentado
e diz pro pastor que a filha dele é uma piranha
alô Deus
eu não me arrependo
nunca
tira logo essa calcinha
e vem pro meu colo
que assim meu amor não acaba.
Faça seu tricô na minha pele
que eu te tomo em licor
rasgo tua bunda numa
tatuagem
enquanto faço uma prece vagabunda
promíscua e
infiel
não roubo mais.